Se você já tentou agendar uma consulta comigo para um filho, sobrinho ou paciente menor de 18 anos, deve ter reparado que minha atuação é exclusivamente voltada para adultos. Essa não é uma decisão aleatória ou uma simples preferência pessoal, é um compromisso direto com a segurança, a ética e a qualidade do tratamento que entrego no meu consultório.
Decidir encaminhar um paciente tão jovem para um especialista em Psiquiatria da Infância e da Adolescência é a melhor forma de garantir que ele receba o cuidado exato que sua etapa de vida exige.
Abaixo, explico os principais motivos pelos quais essa diferenciação é tão crucial.
- Formação Especializada e Limites Éticos
A Psiquiatria de Adultos e a Psiquiatria da Infância e Adolescência são áreas com formações, residências e vivências clínicas distintas. Avaliar uma mente e um corpo ainda em desenvolvimento exige um domínio profundo sobre marcos do neurodesenvolvimento, linguagem, aprendizado e dinâmicas familiares.
- Uma especialidade própria: Condições como Transtorno do Espectro Autista (TEA), TDAH em fases iniciais, transtornos de aprendizagem ou a prescrição de psicofármacos em um cérebro em formação exigem treinamento direcionado.
- Respeito aos limites: Assumir um caso fora da minha especialidade comprometeria os critérios de excelência e segurança que prezo no atendimento.
- A Criança Não É um “Adulto em Miniatura”
O sofrimento emocional em crianças e adolescentes se manifesta de forma totalmente diferente da dos adultos. Enquanto um adulto costuma verbalizar a tristeza ou a ansiedade, os jovens costumam “falar” através do comportamento.
- Sinais atípicos: Mudanças bruscas de humor, queda no rendimento escolar, alterações no sono, isolamento social ou queixas físicas sem causa médica evidente (como dores de cabeça e de barriga frequentes) podem indicar sofrimento psíquico.
- Olhar multidisciplinar: O diagnóstico precisa ir além do consultório, ouvindo pais, responsáveis, professores, pediatras e psicólogos.
- Tratamento integrado: Na infância e adolescência, a prioridade costuma ser a psicoterapia, intervenções comportamentais, adaptações escolares e orientação familiar. O uso de medicação é reservado para casos estritamente necessários, sob monitoramento rigoroso.
- A Importância do Encaminhamento Responsável
Encaminhar para um especialista em Psiquiatria da Infância e da Adolescência não significa recusar ajuda, mas sim garantir o suporte correto. Se você precisa de orientação para encontrar um profissional capacitado, a recomendação é iniciar pela indicação do pediatra de confiança, além de consultar serviços universitários e redes de saúde mental credenciadas.
Atenção em Casos de Emergência
Diante de sinais de risco imediato como ideação suicida, automutilação grave, surtos psicóticos ou agitação intensa, não aguarde uma consulta de rotina. Procure imediatamente um pronto-socorro ou serviço de emergência hospitalar.
Reconhecer os limites da minha atuação é o primeiro passo para garantir que você e sua família recebam a assistência médica mais ética, segura e verdadeiramente especializada.


